Cercada de livros, sento no
banco da praça ao lado das flores e sorrio pra desconhecidos. A calmaria tem
sido algo presente nos meus dias depois que fiz as pazes com a solidão. Gosto
daqui, do lugar onde estou. Não tenho que dar satisfações sobre para onde vou
ou com quem vou, não sinto necessidade de comprar roupas novas para me exibir
pra meninas que eu detesto, não fico mais em casa chorando, remoendo, me
sentindo inferior a elas, não passo mais horas revirando na cama me perguntando
o porquê de ele não querer estar só comigo.
Abrir mão dessa infelicidade
foi com certeza a coisa mais difícil que já fiz, mas foi também a mais
libertadora. Você me olha e não entende, mas essa para quem você olha é a
junção de um furacão de acontecimentos.
Não faz muito tempo eu tinha
alguém ao meu lado para dizer que regras eu deveria seguir. Ele me dizia que
roupas vestir, com que amigos falar, quais comportamentos deveria ter e eu
obedecia. Em um dos meus poucos momentos de lucidez e rebeldia, discordei e ele
usou a força para me mostrar o quão doloroso seria se acontecesse de novo.
Tudo estava um caos. E essa
palavra nem sequer fazia parte do meu vocabulário até então. Eu odiava a garota
que via quando dava de cara com o espelho. Odiava as condições que era forçada a
cumprir para não continuar só. Odiava a dependência que criei que não me
permitia ir embora.
Levou um tempo, mas eu fui em
frente. Não me restou muito e o pouco que restou carrego comigo. Em cada
cicatriz uma lembrança das batalhas que lutei para chegar até aqui. Você diz
querer entrar, mas embora tenha muito o que se ver aqui, não tem espaço.

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