Muito bem acompanhada, por mim mesma.
Vivemos em uma sociedade ainda machista e cheia de regras do que fazer ou não pra ser feliz. Durante algum tempo, eu realmente acreditei que precisava de um cara qualquer ao meu lado pra me sentir segura e especial, mas a verdade é que eu não estava bem. Não, eu não estou querendo dizer que querer um relacionamento é não estar bem, mas apoiar-se em um tem a ver com isso, sim.
Nós mulheres somos/eramos até então ensinadas que o caminho da felicidade tem passagem certa por uma relação e por isso muitas de nós nos submetemos a relacionamentos já inicialmente fadados ao fracasso por puro medo de não atendermos as expectativas (as dos outros e/ou as nossas).
Não sou uma expert em namoros, só tive três relacionamentos sérios ao longo desses quase 22 anos. O primeiro acabou porque sempre gostei de ser a diferentona, a rainha das novidades, a aventureira e meu relacionamento não me oferecia isso. Nós eramos muito novos e enquanto ele imaginava um futuro com casa e filhos aos 20, eu queria 10 anos de namoro pra pensar num casamento. Regular comportamentos e amizades sempre foi algo que detestei, e por isso quando esse tipo se situação começou a rolar, não pensei duas vezes e cai fora. Meu segundo relacionamento só veio depois de 4 anos, quando todas as minhas amigas e a minha mãe e minha avó já achavam que eu ia ficar pra titia. Parecia de verdade que eu queria mesmo tudo aquilo, mas a verdade é que eu não estava pronta pra um relacionamento como aquele. Nós eramos muito diferentes, opiniões religiosas, politicas, filosóficas, mas ainda sim tentamos fazer dar certo. E deu muito certo, por um tempo. Sinto que nós dois fizemos o nosso melhor (embora eu pudesse fazer bem mais), mas não era o suficiente. Pelo menos, pra mim. Descobri que pra não brigarmos pelas diferenças que tínhamos alguém teria que ceder e não demorou muito pra notar que esse alguém era eu. Perdi tanto tempo focada em agradar e fazer durar que me perdi, o que me levou ao terceiro relacionamento. Nunca fui de engatar uma relação na outra porque acho que precisamos de um tempo pra por os sentimentos no lugar e deixar as coisas bem resolvidas pra seguir em frente, mas aconteceu. Na minha cabeça aquilo tinha tudo pra dar certo, mas onde estaria eu se a vida não insistisse em provar que quando se trata de pessoas, eu sempre tô errada?! Dividiamos o mesmo gosto pra música, filmes e livros. O mesmo conceito de vida e religião, mas quando se tratava de relacionamentos os nossos conceitos não conversavam. O medo de não ser feliz num outro relacionamento me cegou, comecei a fazer de tudo pra me manter ali, ainda que eu não quisesse mais, ainda que eu não estivesse feliz, ao menos eu tinha um relacionamento. Não é isso que eu preciso pra ser feliz?! Um cara ao meu lado?!
Idaí se ele mente, me trai, grita, me aperta, me xinga, quebra coisas e pior... Elas disseram que eu só ia ser feliz quando encontrasse alguém, e não era ruim o tempo todo, as vezes ele era fofo, se eu dissesse que ia embora, ele fazia o que eu queria... Parabéns pra mim que pra provar pros outros que era feliz, vivi o período mais infeliz da minha vida.
Se você acha que eu criei uma visão negativa sobre o amor ou sobre relacionamentos, está equivocado. Continuo crendo nas mesmas coisas. Que amor é aceitar o outro como é e com a bagagem que vem, e dar o seu melhor pra vê-lo feliz. E que relacionamento não tem nada a ver com regras ou proibições, cada combinação de pessoas é única e pra se relacionar é preciso se adaptar. Não perdi a fé de acreditar no sentimento verdadeiro e reciproco, mas aprendi lições importantes que com certeza me farão pensar duas ou mais vezes quando estiver com alguém. Hoje entendo que preciso aprender muito sobre mim mesma, pra não ter que me explicar.
Por isso quando me perguntam porque eu continuo sozinha, eu repenso os altos e baixos de cada relacionamento e respondo sempre a mesma coisa: ainda não tô pronta pra isso, mas não tô sozinha pelo contrário, ando muito bem acompanhada.

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