No caso de existir mesmo uma disputa entre pais pra ver quem tem o melhor filho, alguém sabe me dizer qual é o prêmio?
Desde que eu me entendo por gente lembro de ser comparada a outras crianças. Sempre nas rodas de conversas entre minha mãe e as amigas, haviam alguns minutos dedicados exclusivamente a essa disputa (completamente desnecessária). Não gostava disso durante a infância e continuo não gostando agora, porque diga-se de passagem, com o tempo vai ficando ainda pior. "O filho da fulaninha, não faz nada Taynara, não quer trabalhar, só sabe beber" -imagine como minha resposta aquele emoji revirando os olhos. "A filha da cicrana, ta noiva e vai viajar pra Espanha e tu ai só deitada vendo esses filmes" - favor, usar a imagem acima como resposta. Ok, talvez pra ela pareça um elogio ou um incentivo, mas eu simplesmente não me importo com o que a filha do fulaninho ou do cicraninho fazem.
Na minha cabeça, esse tipo de comentário (no meu caso, feito pela minha mãe, mas poderia ser por qualquer outra pessoa ou rede social) acaba resultando em duas coisas: a) te faz um ser humano que se sente muito melhor que os outros, b) te faz um ser humano que se sente fracassado. Nenhuma das duas alternativas me agrada, e eu digo isso com propriedade, já que pude vivenciar ambas.
Houve uma fase da vida que eu me sentia praticamente um robô, eu fazia absolutamente tudo, TUDO, que as pessoas achassem que eu devia fazer. Era incrível, as amigas da minha mãe me mimavam mais do que os próprios filhos, eu era um exemplo. Minha mãe estava no céu, ela tinha a filha mais adestrada do seu grupo de amigos e creio que aquilo era pra ela como receber uma medalha por um serviço muito bem feito. Durante a adolescência, enquanto todas as mães estavam surtando com os problemas dos seus filhos, a única preocupação da minha mãe era se eu ia ou não comer tudo no jantar. E hoje me dou conta que eu estava passando pela alternativa a), me tornando alguém que se achava melhor que os outros.
Pra tristeza da minha mãe e a comemoração ainda que discreta das amigas dela (que a essa altura deviam me achar um alien), com o trabalho vieram novos amigos, alguns namoradinhos e as coisas começaram a mudar. Passei a dormir fora de casa, sair com certa frequência, beber e acabei (ainda que tarde) fazendo boa parte daquilo que adolescentes normais fazem e ai me vi passando pela alternativa b). Os olhos julgadores, não perdoavam nada, cada comparação fazia eu me sentir como se eu fosse o pior ser humano da galáxia e eu simplesmente, não conseguia entender o porquê. Sinceramente, hoje, ainda não consigo. Pra mim a gente só tem que ser o melhor que conseguir ser.
Relaxem pais, eu entendo, é complicado acompanhar as mudanças, aceitar uma escolha de vida diferente, eu sei, vocês só querem o melhor pra nós. Mas se eu posso lhes dar uma sugestão, não nos comparem, nos deixem viver e fazer nossas escolhas. Vocês fizeram o melhor, independente do que escolhermos viver, vocês já tem suas medalhas por um trabalho muito bem feito, por favor, nos deixem encontrar a nossa própria maneira de ganhar a nossa.

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