O eu de antes queria que você ficasse. Queria que você esperasse. Queria crescer e mudar por você.
O eu de antes acreditava veemente em cada uma das suas palavras. Queria que você mudasse. Queria desesperadamente fazer você me amar.
O eu de antes esperava um sinal de Deus de que era pra ser, de que era pra durar. Queria que você se comportasse. Queria que você fosse honesto.
O eu de antes ia com você pra qualquer lugar e a qualquer hora. Queria que você se sentisse amado. Queria se fazer presente.
O eu de antes cultivava em você qualidades que você nunca cultivou em si mesmo. Queria que você tentasse. Queria que você ouvisse.
Mas ai tudo ficou diferente. Você fez ficar.
Você e aquele seu olhar de ódio. Você e seus braços me apertando. Você e todas aquelas palavras duras. Você e todo aquele lado seu, que eu não conhecia, que eu não queria ver. Você e todas aquelas mentiras. Você vibrante, e eu caída. Você e todas as marcas que ficaram comigo e em mim.
Você me apresentou a uma versão minha que eu não conhecia, mas principalmente, me fez ter saudade de uma que já existiu.
É que antes de você, eu tinha certeza, eu tinha planos, eu era viva e sorria. Antes de você, eu era carnaval e furacão, eu era fogo, eu era dança, eu fazia fila de banco virar palco, eu era tão eu que como meu amor antes de você dizia: "não dá pra descrever".
A versão que te acompanhava já não era mais tão bonita, ou viva, ou quente, mas nem de longe era assim tão gélida e tão inerte.
O que há de mim por agora, é resto, é poça, é medo, é triste...
Mas não sinta pena de mim, por favor!
Eu sei, é provável que eu nunca esqueça aquela noite. É provável que eu nunca esqueça aquela cena... Mas lembrá-la me fará mais forte, mais sábia, mais minha, tão minha que nem você, nem ninguém ousará me tirar o que há de bom, de vivo e quente outra vez!

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